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Impressoras · Bancada

Como testar a cabeça de impressão Epson L3110, L3150 e L3250 com multímetro

Antes de colocar uma cabeça de impressão na impressora, vale gastar dez minutos com o multímetro. Uma cabeça em curto queima os componentes da placa lógica que conversam com ela, e aí o conserto dobra de preço. Aqui está o teste que fazemos na bancada, com os valores que medimos de verdade.

Publicado em 24/10/2026 · Reparo+, Xique-Xique/BA

Segurança antes de tudo Meça sempre com a impressora desligada e fora da tomada, com o cabo flat solto da placa lógica. Nunca meça no flat com a impressora ligada: os contatos ficam a 1 mm um do outro, a ponta escorrega, fecha curto entre dois pinos e pode queimar a placa ou a própria cabeça.

1. L3110/L3150 e L3250 não usam a mesma cabeça

As três impressoras são da mesma família e as cabeças parecem iguais, mas o conector não é:

Na prática, isso quer dizer que o flat da L3110/L3150 não serve na L3250: ele encaixa, mas deixa o pino do meio sem ligação. Na hora de testar, use o flat certo do modelo, senão um pino fica de fora da medição.

2. O que o teste mede

Dentro da cabeça existe um circuito integrado que comanda os bicos. Os pinos de sinal desse circuito têm diodos de proteção ligados ao terra (GND). Na escala de diodo do multímetro (símbolo ►|), com a ponta vermelha no terra e a preta no pino, você mede a queda de tensão desse diodo. É o teste que muitos técnicos chamam de "condução reversa".

O que denuncia o defeito é um pino fugir do padrão: zero onde devia haver queda (curto), OL onde os pinos parecidos conduzem (aberto) ou valores que não param quietos (umidade).

3. Passo a passo

  1. Desligue e desconecte. Tire a impressora da tomada, espere um minuto e solte o flat do lado da placa lógica. Deixe o flat ligado na cabeça e meça na ponta solta, ou meça direto no conector da cabeça.
  2. Numere os contatos. Com os contatos virados para cima, conte da esquerda para a direita. Uma régua de etiqueta colada no cabo ajuda muito a não errar a contagem.
  3. Ache o terra. Na escala de continuidade, procure os pinos que apitam entre si. Eles são os pinos de terra, e são vários. Anote quais são.
  4. Escala de diodo, sentido direto. Ponta vermelha fixa num pino de terra e ponta preta em cada um dos outros pinos. Anote o valor e observe por uns cinco segundos se ele fica parado.
  5. Escala de diodo, sentido invertido. Agora a ponta preta no terra e a vermelha em cada pino. Nos pinos de sinal, o esperado é OL.
  6. Pinos que conduzirem nos dois sentidos merecem uma medida em ohms (Ω) contra o terra, nos dois sentidos. Assim você descobre se é um componente normal da cabeça ou uma fuga.
  7. Compare o padrão. Pinos com a mesma função costumam dar valores parecidos. Um pino muito diferente dos outros, ou que não para quieto, é o suspeito.

Cada multímetro mostra os números de um jeito. Alguns mostram 0.563 V, outros 563 (em milivolts). O que importa é o padrão entre os pinos, não o número exato.

4. Valores medidos: cabeça da L3250 (21 pinos)

Estes são os números de uma cabeça da L3250 medida na nossa bancada com um multímetro FNIRSI DMT-99. A medição foi feita por um flat de 20 vias, igual ao da L3110/L3150, então o pino do meio (11) ficou sem medir. Vamos completar com o flat certo e atualizar esta página.

Pinos de terra (apitam entre si): 3, 6, 7, 12, 14, 16 e 18, contando os 21 pinos da cabeça da esquerda para a direita. A referência usada foi o pino 3.

Conector da cabeça da L3250, pinos 1 a 21: terra nos pinos 3, 6, 7, 12, 14, 16 e 18; pinos 2 e 21 abertos; pinos 4 e 9 conduzem nos dois sentidos; pino 11 ainda sem medir; os demais são de sinal.12345678910?1112131415161718192021
Conector da cabeça da L3250 com os 21 pinos e o resultado de cada um. O pino 11 fica no centro e não tinha contato no flat usado.

Escala de diodo: vermelha no terra (pino 3), preta no pino

Pino da cabeçaVisorO que é
10,563 VSinal
2OLAberto (normal neste pino)
42,784 VAlto; veja a medida em Ω abaixo
50,494 VSinal
80,500 VSinal
90,443 VSinal (o menor valor)
100,498 VSinal
11—Ainda sem medir
130,500 VSinal
150,536 VSinal
170,536 VSinal
190,520 VSinal
200,563 VSinal
21OLAberto (normal neste pino)

Escala de diodo invertida: preta no terra, vermelha no pino

Todos os pinos de sinal deram OL, menos dois. O pino 4 deu 2,700 V e o pino 9 deu 3,030 V, os dois parados (só o último dígito oscilava). Leitura assim alta e estável é condução muito fraca, longe de um curto.

Pinos 4 e 9 em ohms, contra o pino 3

PinoVermelha no 3Preta no 3Leitura
47,101 kΩ7,087 kΩIgual nos dois sentidos: é um resistor, não um diodo nem uma fuga. Provavelmente o sensor de temperatura (termistor) da cabeça.
913,42 kΩOLConduz num sentido só: junção boa, sem fuga ao contrário.

Resultado: cabeça eletricamente boa e seca. Nenhum pino de sinal dá zero, os abertos estão nos lugares de sempre e os valores ficam numa faixa estreita, com pinos parecidos repetindo o mesmo número (13 e 8 deram 0,500 V, 15 e 17 deram 0,536 V, 1 e 20 deram 0,563 V).

Que o pino 4 seja o termistor é uma conclusão nossa pelo comportamento da medida, não está confirmado em esquema da Epson. Dá para testar: meça o pino 4 em ohms, segure a cabeça na mão por um ou dois minutos e veja se o valor cai devagar e volta quando esfria.

5. Cabeça da L3110/L3150 (20 pinos)

O procedimento é o mesmo do passo a passo acima: achar os pinos de terra, medir na escala de diodo nos dois sentidos e comparar o padrão. Como o conector é diferente, não use a numeração nem os valores da L3250 para essa cabeça. Ainda não publicamos uma medição completa da cabeça de 20 pinos. Quando medirmos uma na bancada, os valores entram aqui.

6. Como reconhecer curto, cabeça aberta e cabeça molhada

SituaçãoComo aparece no multímetro
BoaPinos de sinal entre uns 0,3 e 0,65 V e parados; zero só nos pinos de terra; OL nos pinos que sempre dão OL; sentido invertido em OL nos pinos de sinal.
Em curtoZero (apito) num pino que não é terra, ou leitura num pino que numa cabeça boa dá OL. Não instale: ela pode queimar a placa lógica.
AbertaOL num pino de sinal enquanto os pinos parecidos conduzem normalmente.
MolhadaValores que não param (vão caindo ou subindo sozinhos), leituras em kΩ que mudam de uma medida para outra, fuga no sentido invertido em vários pinos.

O teste com multímetro olha só a parte elétrica. Uma cabeça eletricamente boa ainda pode imprimir falhando por bico entupido. Nesse caso, o caminho é o teste de jatos, a limpeza pelo painel ou o desentupimento.

7. Se estiver molhada: como secar

  1. Não ligue a impressora com a cabeça suspeita.
  2. Solte o flat da placa ou tire a cabeça.
  3. Limpe só os contatos (conector da cabeça e ponta do flat) com álcool isopropílico e cotonete ou pincel macio. Não jogue álcool na placa de bicos e não encharque.
  4. Seque com papel absorvente, sem esfregar os contatos.
  5. Deixe secar por 24 horas em lugar ventilado, ou use ar morno de longe (secador de cabelo morno a uns 20 a 30 cm). Nunca passe de uns 60 °C: plástico e cola da cabeça não aguentam.
  6. Meça de novo. Se os números pararem e voltarem ao padrão, a umidade era o problema. Se continuar o curto ou a fuga, a cabeça está danificada: troque antes de ligar.

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Referências de outros técnicos que usam o mesmo teste: Jefferson Cartuchos & Impressoras (cabeça boa, pino a pino), PLNOTE – Paulo Junior (cabeça boa × cabeça em curto) e TecnoServiceVZLA (em espanhol). Os valores desta página são das nossas medições. A numeração dos pinos pode mudar de um vídeo para outro, conforme o lado em que cada técnico começa a contar.